4 valores de vendas para analisar como freelancer

Sofia Rocha e Silva
Autora da rubrica Contas com a Sofia
Designer freelancer, cedo percebi que faturar como trabalhador independente tem muito que se lhe diga. Por isso, criei o projeto Luscofia que ajuda freelancers e pequenos empresários a descomplicar a faturação. Mensalmente, partilho com a Moloni dicas sobre faturação para facilitar a vida de quem trabalha por conta própria.
É importante fazermos revisões trimestrais, no entanto, como freelancer, com toda a flexibilidade de tempo e local de trabalho, nem sempre é fácil perceber se o nosso negócio está a ser rentável e produtivo. Estes são alguns dos valores que podes analisar para saber que conclusões tirar.
Lucro mensal
A base das nossas decisões: total de faturação - total de despesas. O que estás a faturar cobre os gastos do teu negócio? Nesses gastos não te esqueças de incluir o teu “salário”, para além das despesas com material, software, escritório, entre outros.
Como trabalhadores independentes, esquecemo-nos muitas vezes do lucro, mas este não só é das principais forças para fazer ajustes aos teus preços, como te permite criar segurança financeira para o teu negócio (ter um fundo de emergência para meses imprevistos em que não suportes o teu salário, por exemplo) e tomar decisões para o futuro (há margem para contratar alguém para te ajudar? Deves mudar de fornecedor de telecomunicações? Faz sentido arrendar um escritório?).
Valor em caixa e dinheiro em “trânsito”
O lucro permite tomar decisões a médio e longo prazo, mas no imediato importa também olhar para o valor em caixa. Como bem sabes, faturar não quer dizer que vais receber no mesmo momento: podem passar meses até ao pagamento cair na tua conta bancária! Isso significa que podes contar com o dinheiro para planear, sim, mas não para pagar as contas desse mês.
Deves fazer as seguintes questões:
- Qual é a tua liquidez agora?
- O que é que isso implica para decisões imediatas?
- Precisas de trabalhar mais nos próximos meses ou podes considerar tirar alguns dias de férias?
O dinheiro em “trânsito” ou “dinheiro na rua” é o valor que já faturaste ou o trabalho já feito, mas ainda por faturar - dinheiro teu, mas que ainda não está na tua conta bancária. Este valor deve ser acompanhado para perceber se há algum atraso.
A soma do valor em caixa + o valor faturado (por receber) + o valor por faturar (mais já fechado), dividida pelo valor mensal necessário para o teu negócio (despesas + o teu salário) + 1 mês , vai dar-te um dado muito importante para trabalhadores independentes: a próxima data para preocupação!
Por exemplo: ((5000 + 2000 + 500)/ 1500) + 1 = 6 meses
Claro que nos habituamos à flutuação de rendimentos, mas todos temos momentos de preocupação sobre o trabalho daqui a 3 meses, 1 ano ou 1 década. Teres uma ideia clara de quanto tens e de quanto virá na tua direção em breve, ajuda-te a perceber se a data de preocupação está perto ou se é apenas a insegurança a falar. Se a data de preocupação for curta, tens de te mexer para resolver, se for mais afastada, podes dormir descansado/a sabendo que olhaste para os números.
Taxa de aprovação de orçamentos
Do total de orçamentos que enviaste no trimestre passado, quantos foram aprovados? Se enviaste 10 e foram aprovados 6, a tua taxa de aprovação foi de 60% - o que é uma ótima notícia.
Analisa este valor todos os trimestres e vais começar a ter uma ideia não só do comportamentos dos clientes acerca dos teus orçamentos (para saber exatamente por que é que não estão todos a ser aprovados, deves perceber com cada cliente a razão), mas também saber quantos orçamentos, em média, deves enviar por trimestre para manteres a tua cadência de trabalho.
Ou seja, num cenário em que sabes que executas um projeto novo por mês e a tua taxa de aprovação é 60%, então sabes que terás de enviar, por mês, pelo menos 2 orçamentos (mas idealmente mais) para manteres a agenda cheia.
Valor/ hora real
Finalmente, o valor que indica a rentabilidade de cada um dos teus projetos. Contabilizar as horas trabalhadas em cada projeto é essencial para trazer várias análises e em especial o valor/hora real que cobraste por aquele projeto.
Não recomendo que cobres à hora, mas é uma unidade muito útil para analisar a nossa produtividade e a exatidão do orçamento. Sabendo, por exemplo, que o teu valor/hora ideal para teres lucro é entre 35 a 55€ e que o orçamento enviado para o projeto foi de 2500€, quando chegas ao final e vês que trabalhaste 48,5 horas naquele projeto, sabes que o valor/hora real desse trabalho foi 51,54€, o que está dentro dos teus valores rentáveis. Se, em vez disso, tivesses trabalhado 74 horas, o valor/hora daria 33€, o que há fica fora do teu intervalo de valores e significaria uma perda.
Ou seja, o mesmo projeto pode ter rentabilidades muito diferentes dependendo de como é conduzido e do tempo que demora. Se, além disso, for um projeto com despesas, então ainda temos mais uma variável para analisar. Se reparares em perdas recorrentes, pode ser necessário ajustares os teus preços, ou reveres o que te está a tornar pouco produtivo ou até reconsiderares um cliente em particular que abusa do teu tempo.